Three Litlle Birds?


Da série: MEMÓRIAS 

Ufaaaaaa. Há de se respirar profudamente, foram 36 anos esperando para pôr em linhas, algo que eu posterguei devido a tudo que creio sobre os karmas, o mundo perigoso em que vivemos, TV, vizinhos etc. Mas é parte de sua evolução as coisas boas e ruins. O equilíbrio de cada um.

O começo

Em um verão de 2013, vocês começaram a unir-nos mais e mais. PD: Escreverei esse blog em português e rabiscarei algumas coisas em espanhol, mas tenho de praticar meu idioma nativo para que vocês (Zoe e Mateo) possam ler um dia. Sou brasileiro e vivo no Perú há sete anos com minha esposa peruana Katy. E no início era uma espera curiosa: "Será que conseguimos fecundar o óvulo?". Até nesse momento, era pensado “um”. Katy já tinha alguns sintomas como sonolência turbinada e calor. Debreei a ideia que já estava grávida. E batia em mim um “E se não conseguimos ontem? Temos de repetir hoje, por aí vem um irmãozinho” e etc.


Testando 1, 2, 3...

Teste de farmácia, básico. Compramos com aquela sensação radiante de “espero que funcione”. Positivo! Entendam, eu não acredito (não acreditava) nesses testes, ainda que haja ficado tão feliz. Na manhã seguinte, teste de sangue. Katy não me espera. Pela tarde recebe os resultados no mail (viva a tecnologia wi-fi), ela apresentava um índice de quase 19.000 HCG (sigla em inglês para Gonadotrofina Coriónica Humana) também é o nome no Brasil do exame para detectar a gravidez. Era hora de visitar o doutor. Escolhemos uma clínica reconhecida aqui em Lima por ser especializada somente em partos, a Montesur, com o Dr. da Silva. Pensamos: “da Silva? Deve ser um sinal espiritual, brasileiro em Lima, deve ser algo cósmico”. Não o escolhemos por causa do sobrenome, e sim, por ele ter seu aparelho de ultrassom no próprio consultório, sendo que os outros teríamos de ir a outra sala. O Dr. a examina. Nosso propósito era saber da saúde de Katy e esses detalhes já que observar algo ainda era precoce. Mas o Dr. ao usar o ultrassom, observa que mudanças visuais suaves no útero. Ele não confirma nada devido a precodidade. Da Silva, filho de avós portugueses, nos comenta: “Esperem mais duas semanas, meus caros. Se houver algum percalço, eu lhes dou uma ajudinha”. Interprete essa ajudinha como algo in vitro. Não seria necessário. Não mesmo.



Quatro presentes
Duas semanas depois, o mesmo procedimento. Posiciono-me ao lado do ultrassom, Katy se deita, ultrassom interno. E… Pimba! Vejo duas bolsas. Tranquei, claro. Havia visto essa imagem em Youtube diversas vezes. Nisso, minha esposa: “Dr. diga se meu bebê está aí”. o Dr.: “Sim, eles  estão, são dois”. E fez o silêncio profundo de uma tundra canadense por uns cinco segundos. De repente exclamo: “Dr. há um terceiro”… Da Silva encontra-o.  Nesse momento era um orgasmo cósmico e todos brincam com a realidade. Eu: “Não duvido que haja um quarto”. E havia. Fazendo um panorama concreto, nessa barriguinha assistimos a dois formados fraternalmente (dizigóticos ou multivitelinos e, cada um em sua bolsa com sua ), um terceiro que “poderia” vingar e o quarto que aparentemente não viria, seria assim, absorvido. Fomos para casa. Em um percurso de 20 minutos obviamente as perguntas como “colégio, comida, leite, roupa, ajuda, empregada, trabalho, sono… EM TRIPLO… etc”. Respiramos e dá-lhe com a missa de comunicar à família de Katy. Ninguém acreditava, ainda que escrito por extenso “gravidez múltipla de algo risco”. Entenda-se “alto risco” como algo dentro da normalidade natural, não que represente ainda uma ameaça letal para mãe ou filhos. O Dr. Advertiu que se fossem dois, transcorreria normalmente, mas o terceiro se vingasse, representaria um problema já que estava mal posicionado. Entendam que a posição das bolsas é importante. Meus queridos Marques Ostos não entendiam. Ainda. Escolhemos algumas pessoas para dar a notícia. Choque. Fomos dormir. Havia uma sensação (gostosa) de quatro pessoas nessa cama por esta noite. Somente por esta.

Pensando nos mil blogs que vi (Os Três Mosqueteiros, Os Três Porquinhos, 3 é Demais etc) usei a mensagem positiva de Bob Marley: “Three Little Birds”. Ah, regressar em duas semanas. Intermináveis duas semanas foram...

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sigam-me os bons

Os escolhidos

Os escolhidos
Sim, porque eles nos escolheram.

Quem sou eu

Minha foto
Nasci em 1976 em São Paulo/Brasil - Brasil. Vivo em Lima/Peru. São-paulino, jornalista e pai de Zoe, minha amada filha com minha doce Katy, peruana de Lima. Sou um cara que escreve sobre experiências, crônicas e tudo que se relacionou com a gravidez múltipla dela e crescimento da filhota. Na semana 34 tivemos a ida de Mateo de volta ao paraíso. Zoe ficou para ilustrar nossa vida num 29/10/2013 e nasceu com 36 semanas. Uma prematurinha linda que cresce saudavelmente.

Seguidores